Produção e comércio de alimentos de pequeno porte são opção em tempos de crise

Por: Acesse entrega 19/04/2016 Atualizada: 2016-04-20 15:45:07

Para enfrentar a perda do emprego ou reforçar a renda, uma das saídas rápidas do brasileiro tem sido recorrer ao apelo dos sabores, algum alimento gostoso, aromático, prático ou saudável, que possa vender pelas redes sociais, aplicativos, nos sistemas do tipo delivery e de porta em porta ou mesmo em loja própria. O número de empreendedores dedicados à culinária de pequeno porte cresceu 28,5% em Minas Gerais no ano passado, frente a 2014, segundo dados do Sebrae. Acreditando que em tempos de crise a alimentação seja o último alvo de cortes que passam pelo crivo das famílias, além do fato de a atividade contemplar baixo investimento, os donos do negócio próprio no ramo inundam esse mercado com uma explosão das mais variadas opções.

Na família da professora de inglês Elizabeth Moura todos têm uma profissão principal – o marido é marceneiro, o filho, músico. Reunidos em torno de um único propósito, eles montaram a Sóbria Mesa, empresa especializada em alimentação vegana e integral, sem a utilização de produtos de origem animal. Vegetariana há mais de 30 anos, Elizabeth se tornou especialista nesse tipo de cozinha. Há dois anos, começou a receber encomendas de bolos para lanches e festas, de doces, salgados congelados, jantares e, agora, atende a empresas para coffee breaks completos.

A demanda tem sido tamanha que, muitas vezes, é preciso repassar as encomendas a parceiros. A família passou também a ministrar cursos e oficinas para interessados na culinária vegana. O nicho de mercado é considerado promissor e apostando no segmento, os três empreendedores já se mudaram para uma casa maior em busca de espaço na cozinha. Outro projeto em estudo envolve o treinamento de um profissional para turbinar a produção das encomendas.

“Comecei o projeto em favor da causa dos animais, pela saúde e para reforçar um pouco o orçamento. Como professora, percebo que quando surge uma crise as pessoas logo cortam as aulas de inglês, mas mantêm a alimentação. É crescente o número de consumidores preocupados com a boa saúde”, conta Elizabeth. Os sócios da Sóbria Mesa ainda trabalham na atividade profissional que escolheram, mas a culinária, que antes tinha uma participação pequena na renda da família, hoje já responde por valor equivalente ao da profissão principal e, pelo que tudo indica, com potencial para crescer.

Entre as mais de 300 atividades listadas no sistema do microempreendedor individual (MEI), segmentos ligados à fabricação e venda de alimentos permanecem no topo entre as 10 atividades sempre mais procuradas. Em 2015, eram 12,3 mil microempreendedores formalizados em Minas no ramo de alimentos preparados para o consumo familiar, ante 9,5 no ano anterior. Só nos primeiros dois meses do ano, outros 560 adeririam à mesma atividade. Em 2015, também na comparação anual, houve avanço de 20% no número de pequenas lanchonetes, que, agora, somam 19,3 mil em Minas, e do pequeno varejo de alimentos. Nesta última modalidade, há 7,4 mil negócios, como docerias, sanduicherias e toda a sorte de estabelecimentos ligados à alimentação.

Habilidade como saída Até o fim do ano passado, Rogério Ribeiro era encarregado de obras na construção civil. Com o desaquecimento do setor ele ficou por alguns meses sem trabalho e resolveu aceitar a proposta de uma amiga para fazer uma festa de fim de ano em sua casa. Descendente de italianos, ele aprendeu desde cedo a cozinhar com a família, dominando a fabricação de massas artesanais. 

Os elogios para o primeiro evento foram tão animadores que Rogério não teve mais dúvidas sobre a decisão de trocar a construção civil pelo negócio no ramo de alimentos. Ele montou a Brasiliano Massas no Bairro Dona Clara, na região da Pampulha. Investindo em massas congeladas, no sistema delivery e aceitando encomendas para festas, Rogério pretende continuar firme na nova atividade.