Na crise do emprego, internet vira refúgio de oportunidades

Por: Acesse entrega 19/04/2016 Atualizada: 2016-04-20 15:43:42

BRASÍLIA - Na contramão de vários setores da economia que estão fechando postos de trabalho, o mercado de Tecnologia da Informação (TI) continua oferecendo oportunidades, com perspectivas de aumentar as contratações em 30% neste ano. O setor emprega 1,3 milhão de trabalhadores, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação (Brasscom), mas há carência de profissionais, com déficit estimado em 400 mil até 2022.

Segundo o professor Luiz Coelho, coordenador da Escola Superior de Redes (ESR) — unidade de serviço da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, que forma profissionais na área —, as empresas e instituições do setor público, principalmente, precisam reduzir custos, melhorar processos e gerar novas oportunidades de negócios.

— Há uma demanda cada vez maior por profissionais que consigam implantar processos para atender a uma série de portarias e instruções técnicas demandadas pelos órgãos de controle e do mercado nos últimos anos — explica ele.

ASSESSORIA REMOTA E MARKETING DIGITAL EM ALTA

Professora de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), Anna Cherubina Scofano reforça que, enquanto o emprego tradicional com carteira assinada, chefe, local e horário fixos está sumindo, a internet se tornou um refúgio de oportunidades. Sites e blogs são meios de fazer negócios na web, que permitem a pessoas leigas em Tecnologia da Informação (TI) criarem seu espaço sem custos iniciais.

Ela listou 15 áreas promissoras. São elas: web design, marketing digital, organização de eventos, serviços de TI, assessoria remota (qualquer tipo), banho e tosa de animais, passeadores de animais, personal trainer, personal organizer (qualquer tipo de organização, armários, malas de viagem), personal stylist, delivery, venda de produtos caseiros, motoboy, editoração, decoração e enfeites para festas.

EM VEZ DO CHEFE, O CLIENTE

Para Anna Scofano, a nova era traz mudanças no comportamento dos trabalhadores e no velho currículo de papel. As entrevistas passam a ser realizadas também de forma virtual. Ela destaca que a tecnologia é um caminho irreversível e uma ferramenta alternativa para quem quer ganhar dinheiro usando o talento e explorando seus hobbies.

— Os profissionais que se arriscam nessa área por conta própria precisam lembrar que não têm chefe, e sim um cliente. Por isso, terão que se dedicar, porque a satisfação com o serviço prestado faz parte do portfólio — afirma Anna.

Mãe de duas crianças pequenas, Juliana Amorim, de 36 anos, não pensa em voltar a trabalhar com carteira assinada. Na segunda gravidez, decidiu montar uma loja virtual com roupas exclusivas e diferenciadas para bebês. Formada em desenho industrial e design gráfico, Juliana fez um curso de modelagem para lançar a grife Boduchinhos, inspirada no apelido do filho. No começo, era só enxoval para bebês, mas, em outubro do ano passado, ela começou a fazer roupas e já tem pedidos para revenda. Juliana faz parte de um universo de pessoas que buscam alternativas diante da crise no mercado formal de trabalho.

— A loja teve uma boa aceitação. As pessoas gostam da combinação de cores dos vestidos das meninas e das estampas nas camisetas dos meninos, que eu desenho, combinadas com listras também coloridas. Ainda estou na fase de investimento em estoque, mas as expectativas de retorno são boas — diz ela.

Ela já é familiarizada com o mundo da web, ao qual se dedica há cerca de três anos. Desenvolve sites para empresas, desenha a página inicial e conta com a ajuda de parceiros quando o cliente deseja incluir uma quantidade maior de informações, com grau maior de interação com os internautas. No começo da carreira, distribuiu e-mails para agências de publicidade no Rio e hoje consegue obter renda mensal que varia entre R$ 3,5 mil e R$ 12 mil como freelancer, dependendo da quantidade de projetos e do grau de complexidade.

— Já tive empregos com carteira assinada. Mas hoje prefiro trabalhar em casa, porque consigo controlar melhor os horários e ficar próxima dos meus filhos — diz Juliana.

Depois de ter trabalhado em grandes empresas fora do país na área de RH e mídia digital, Flora Cosentino, de 32 anos, voltou ao Brasil, onde se prepara para vender serviços na internet. Quer fazer consultorias para empresas e profissionais de diversas áreas, interessados em entrar no mundo digital. Segundo ela, que morou no exterior por oito anos, há muita chance no mercado nacional. Ela cita como exemplo um restaurante de bairro que oferece um excelente serviço, mas que não tem site nem página no Facebook, nem aparece em uma busca no Google.

— Senti esse tipo de dificuldades quando cheguei ao Brasil. Nós estamos muito atrasados em relação a outros países — destaca Flora.



Fonte: http://extra.globo.com/noticias/economia/na-crise-do-emprego-internet-vira-refugio-de-oportunidades-18988317.html#ixzz46NkDmgQ4